Elementos históricos e políticos inspiram o escritor Andre L Braga

Elementos históricos e políticos inspiram o escritor Andre L Braga
Crédito: Divulgação\autor

O assunto pode parecer polêmico ou complexo, mas elementos históricos e políticos movem o processo seletivo do escritor Andre L Braga. Andre sem acento mesmo, ele destaca. O L sem ponto de abreviação. Do ponto de vista gramático pode parecer errado, mas para o autor, é essencial, porque expressa muito sobre sua escrita. Quer entender melhor o porquê? Confira a entrevista completa com o profissional abaixo:

Elementos históricos e políticos inspiram o escritor Andre L Braga
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SP – Primeiramente, para quem não te conhece, pode dar um resumo sobre quem é? O que faz? Formação? Hobbbies? Quantos anos?

ALB – Andre L Braga, esse é meu nome. Andre sem acento, L sem ponto de abreviação. Está errado, mas é assim que gosto, porque fala muito sobre minha escrita – mas isso deixo para explicar depois. Escrevo ficção há pouco mais de três anos, mas já escrevia crônicas e críticas sociais em um blog muito antes de meu primeiro título publicado. Além da escrita, trabalho numa empresa de cosméticos, na área de Sistemas. Resido em Amsterdã, na Holanda, com a Verena, as Irmãs Märchen – explicarei mais tarde – e nosso Sir Theodore Braga, uma mistura de Cavalier e Poodle. Tenho 48 anos e minha paixão pela música fala até mais alto que pela literatura! Toco baixo e violão, e sinto falta de tocar numa banda – atividade descontinuada por conta da pandemia.

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SP – Você se denomina um autor de thrillers psicológicos e políticos. Como chegou nesse estilo de escrita? O que te inspirou\motivou?

ALB – Sempre fui muito engajado na política. Meu falecido blog, intitulado Currículo de Vida, era sobre minhas andanças pelo mundo – moramos na Europa há quase 11 anos, passando por Inglaterra, Suíça e Holanda – e as diferentes percepções da realidade que essa experiência me trouxe. Ao observar outras realidades, outras possibilidades, minha visão sobre as inequidades vivenciadas no nosso país se confirmou, consolidando-se em bases mais sólidas. Há outros meios, outras formas, mas há a necessidade de se educar, de se derrubar certos preconceitos, fortemente enraizados em nossa cultura. Vai além de mudar os políticos, é preciso mudar a sociedade. E é aí que os dois temas de minha escrita se encontram perfeitamente! A política reflete a sociedade, e a sociedade se faz de crenças, culturas, costumes – tudo está, de certa forma, ligado ao psicológico individual e coletivo.

SP – Como é escrever sobre política no cenário atual em que estamos vivendo no país? Isso, de alguma forma, influencia de forma mais intensa a sua criação?

ALB – O cenário político atual, no Brasil e no mundo, influencia, e muito, a minha escrita! Tudo é inspiração! Fake News, declarações absurdas, abusos de poder, o seguir cegamente um político ou uma ideologia, tudo isso é lenha para meu processo criativo! Talvez nunca tenhamos vivido uma batalha política tão midiática quanto nos tempos modernos! A propaganda política e o uso de Fake News não são novidade, essas práticas já existem há muito – basta pensar na propaganda fascista durante a Segunda Guerra, ou no famoso poster “Keep Calm And Carry On”, preparando os ingleses para uma possível invasão territorial pelo exército alemão. Mas a tecnologia da qual dispomos hoje, auxilia na propagação e na ampliação dessas ideias. Um simples post, replicado por robôs pelas mídias sociais, dá a impressão a quem lê de que a coisa toda é viral, de que há muita gente defendendo uma ideia, o que pode não ser real. Uma ideia controversa, e um pouco de dinheiro para bancar o aparato eletrônico por trás das Fake News, é capaz de transformar qualquer absurdo e verdade absoluta!

SP – E em relação à aceitação desses escritos políticos, as pessoas costumam aceitar bem ou de alguma forma isso se torna polêmico?

ALB – Tive a sorte de, até hoje, não ter caído nas mãos de haters. Independente de seus posicionamentos políticos, leitoras e leitores têm compreendido que minha luta é contra a mentira política e o Estado opressor. Embora tais elementos, hoje, estejam nas mãos da extrema-direita, os mesmos elementos já estiveram nas foices da extrema-esquerda! Meus thrillers políticos vêm como um alerta, sobre o que de absurdo estamos vivendo, e para onde tais absurdos podem nos levar. Distopia, é mais ou menos isso que escrevo.

SP – O quanto as narrativas sobre políticas beiram ao real e o quanto é ficção?

ALB – Costumo escrever textos que permeiam a realidade, mas trago um bom toque de ficção no enredo. Li, há algum tempo, um livro sobre um homem que assassinou o Presidente. Odiei. O motivo? Tudo que estava no livro, exceto pelo narrador ter assassinado o Presidente – e ele apenas menciona isso nos primeiros parágrafos, tipo memórias -, não passava de relatos do período que foi do impeachment da Dilma ao atentado ao então candidato à Presidência, em 2018. Não havia nada, absolutamente nada de ficção, mas a história era vendida como tal. Esse não é o caso de meus livros. Busco elementos históricos – o impeachment, a campanha política de 2018, algumas características de alguns políticos, os incêndios na Amazônia em 2019 -, mas eles servem apenas de pano de fundo, de contextualização. O que acontece, a trama principal, é totalmente fictícia, e apenas empresto elementos da realidade para traçar paralelos e dar mais realismo às minhas histórias.

SP – Quais as publicações mais atuais que gostaria de divulgar?

ALB – Neste ano, lancei dois livros: Teocracia Brasilis, uma distopia; e Nudes, Mentiras & Ameaças, uma novela com uma pitada de suspense. O primeiro tem recebido avaliações muito boas dxs leitorxs, e considero-o minha melhor obra já publicada. O segundo foi lançado há pouco mais de um mês, e foi o título mais leve dos meus thrillers psicológicos, então ainda não sei muito bem como será recebido pelo público. Nessa linha psicológica, Mulheres Que Temiam Seus Pais continua sendo o de maior receptividade.

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SP – O que podemos esperar para o futuro próximo? Temos mais lançamentos para em breve?

ALB – No dia 14 de outubro, em parceria com outros autores independentes, lançaremos uma antologia de terror, mas ainda não posso dar mais detalhes, além de dizer que vai ter live de lançamento no meu Instagram. Vale ressaltar que terror não é meu território. Além dessa antologia, me atrevi a escrever alguns contos do gênero, em parceria com as Irmãs Märchen, ou seja, minhas filhas Lara e Leticia. Temos alguns contos publicados, destacando-se Talassofobia, que está na antologia Abyssal, da Lura Editorial; e o conto de horror Sorria, escrito pela Laetisha Märchen – é assim que ela assina – e por mim traduzido, porque minha filha mais nova não sabe escrever em português.

SP -Algo a acrescentar?

Queria agradecer a oportunidade de participar deste quadro e fica aqui o convite para conhecerem meus trabalhos em @escritorandrelbraga. E, para quem gosta de música, tem vídeos com covers por lá, todo sábado, e playlist todo domingo! Obrigado e até uma próxima!

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Suelen de Paula

Suelen de Paula

Suelen é jornalista e escritora. Apaixonada por livros e séries, compartilha sua jornada Antes dos 30 anos pelo IG Literário @antesdos30_suh .

Este post tem 2 comentários

  1. Maiara Barbosa

    Ótima entrevista. E já esrou empolgada para ler algo do Andre :). Parabéns para os dois !

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